Alergia ao leite: como enfrentar esse problema?

Diarreia, prisão de ventre, irritabilidade, refluxo, vômitos, vermelhidão na pele, perda de peso, chiado, entre outros, são os sintomas mais comum da Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). Mas o que de fato é essa doença que atinge cerca de 5% dos bebês e crianças com menos de 3 anos de idade? A APLV costuma ocorrer,  principalmente, quando os pequenos deixam de tomar o leite materno precocemente, provocando uma reação do organismo à proteína do leite. “O organismo do individuo ao identificar essa proteína como um agente estranho que precisa ser combatido, inicia o processo de desencadeamento das reações alérgicas.” Afirma a nutricionista Silvana Piorelli do Instituto Sempre Vita. Quando os bebês nascem, seu intestino está imaturo e a ingestão dessas proteínas pode iniciar um processo inflamatório no aparelho digestivo.

A boa notícia é que APLV tem cura. Normalmente, grande parte dos pacientes desenvolve tolerância às proteínas do leite após os 2 anos de idade. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores serão as chances da criança se tornar tolerante o quanto antes. No entanto, nem sempre ele é simples de ser encontrado, pois os sintomas se assemelham aos de inúmeras doenças comuns na infância. De acordo com o Dr. Mauro Morais, gastroenterologista pediátrico da Universidade Federal de São Paulo, para um diagnóstico preciso, é fundamental a interpretação minuciosa da história clínica do paciente associada aos exames laboratoriais e físicos. “Em algumas situações, é possível relacionar o surgimento dos sintomas com a ingestão de determinado alimento; em outras, o quadro não é tão evidente. O chocolate, por exemplo, raramente causa alergia. Quando isso acontece, torna-se necessário pesquisar a alergia ao leite de vaca ou à soja, usados em sua fabricação”, explica o médico.

Essa foi a experiência da psicóloga paulista Luciana Romano e o seu filho, o pequeno Rafael. Após muitas idas e vindas ao pediatra, otorrino, várias crises de otites e inflamações na garganta e até uma operação de adenóide e amídala, o diagnóstico de alergia à proteína do leite foi finalmente encontrado após realizar um exame chamado RAST. “Após dois meses da operação, lá estávamos eu e meu marido, no pronto socorro, com o Rafael ardendo em febre e com o ouvido inflamado novamente! Tivemos novamente que dar antibiótico a ele, sem contar no sofrimento das febres altas. Cansados e desiludidos, eu e meu marido voltamos à pediatra. Ela começou a nos indagar sobre a alimentação do Rafael e seus hábitos de sono; O quanto de leite ele tomava; Se ele o aceitava bem, etc. Ela pediu um exame de sangue e foi detectada a alergia.”

A APLV é diferente da intolerância a lactose. No caso do intolerante, é possível ingerir leite com baixo teor da substância, bem como seus derivados – queijos, manteiga, iorgute, etc. O aparecimento dos sintomas vai depender da quantidade de proteína ingerida e a reação ela, vai variar de pessoa para pessoa. Além disso, os sintomas apresentados à intolerância costumam ser apenas gastrointestinais: diarreia, cólica, gazes e distensão abdominal. Jamais apresentando crises respiratórias e de pele. Já no caso da alergia propriamente dita, esses sintomas soarão o alarme justamente por envolver o sistema imunológico.

É importante ressaltar que embora em aleitamento materno, alguns bebês por sua susceptibilidade individual desenvolvem a Alergia a Proteína do Leite. Quando isso acontece o indicado, primeiramente, é a exclusão do leite da dieta da mãe.

Na verdade o tratamento da APLV consiste na retirada completa de todos os alimentos que contenham leite e seus derivados na composição, substituindo-o por fórmulas nutricionais especializadas. Esta é a forma mais eficiente de se combater a doença. Foi seguindo a risca essa recomendação que Luciana e Rafael hoje comemoram a cura. “O início foi terrível, compramos o leite de soja em pó, mas o Rafael não aceitou bem. Após muito pesquisar, descobri que no supermercado há muitas opções, porém muito caras. Mesmo assim, passamos a comprar suco de frutas misturado com soja, que tem a mesma quantidade de cálcio e vitaminas que tem num litro de leite. Como os demais produtos sem lactose são muito caros resolvi improvisar e testar receitas que eu mesma inventava. Do suco de soja sabor chocolate, eu misturava amido de milho, engrossava, comprava granulado e colocava por cima. Esse era o brigadeiro do Rafael. Assim, levamos o tratamento, por quase dois anos, até maios de 2011. Nesse período nunca mais ele teve crise de ouvido ou garganta” , relembra a psicóloga.

Atualmente existem inúmeras preparações e produtos no mercado que facilitam a dieta de exclusão permitindo a criança comer de tudo, desde que não contenha as proteínas do leite. No entanto, o produto mais adequado dependerá do nível de alergia da criança. Por isso a avaliação e o acompanhamento médico sobre a dieta é imprescindível, uma vez que excluir o leite definitivamente da alimentação de crianças em fase de crescimento pode acarretar uma série de problemas. “Importante ressaltar que a substituição do leite de vaca por seus equivalentes é de fundamental importância nos casos de alergia, em especial nos pacientes em crescimento. Mas esse procedimento só pode ser indicado por um profissional de saúde que, preferencialmente, deve contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar”, reforça o Dr. Mauro.

Dependendo do caso é recomendado o uso de fórmulas de proteína hidrolisada ou de aminoácidos para substituir o leite. Com uma composição nutricionalmente balanceada, ambas as fórmulas atendem as necessidades de proteínas, vitaminas e minerais necessários para o desenvolvimento sadio dos bebês. Mas essa não é uma saída barata, uma vez que o custo desse produto é alto, podendo chegar a R$400. Um drama para muitas mães que não tem como sustentar esse tratamento, que em muitos casos, é a única solução para seu filho. Nestes casos, o Estado fornece esses produtos através do Sistema Único de Saúde, o SUS, cujo procedimento para a solicitação pode variar de cidade para cidade. Mas é importante saber que a Constituição Federal no artigo 196º assegura o direito ao tratamento. Em 28 de junho deste ano, foi assinado o Decreto nº 7508 que preconiza em seu artigo 28º: Que o usuário deve estar assistido por ações e serviços de saúde do SUS; bem como ter o medicamento sido prescrito por profissional de saúde, no exercício regular de suas funções no SUS;

Na cidade de São Paulo, por exemplo, após cumprir todos os passos do Protocolo a solicitação, que deverá ser preenchido pelo médico que acompanha a criança, basta entregá-lo no Ambulatório Regional de Especialidades Maria Zélia, juntamente com o relatório médico justificando a necessidade de Fórmulas Infantis Especiais, Receita Médica em 3 (três) vias, carimbada e assinada. Em média demora 30 dias. Procure a secretaria de saúde da sua cidade  e se informe ou o Grupo Sempre Vita pelo site: www.gruposemprevita.org.br

 

Essa matéria faz parte da promoção "Mãe também é cultura" e foi amadrinhada por Adriana Zimny

 

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